Hipocrisias IV
Mário Soares veio acenar, a propósito da eleição de Luís Filipe Menezes para líder do principal partido da oposição, com o Adamastor do populismo. Esquece-se, curiosamente, do populismo reinante no seu próprio “quintal” político. A diferença, é que a Menezes ainda faltam os tiques totalitários tão evidentes, alegadamente, (a força legal deste conceito é avassaladora) em Sócrates.
No resto, são mais as semelhanças do que as diferenças, até no recurso às Agências de Comunicação para gerirem a componente mediática das campanhas. Uma micro-diferença pode ainda, arguiu-se publicamente, ser encontrada na confrontação dos diplomas de estudos académicos.
Esquece-se Soares, e teremos de lhe perdoar a sua eventual amnésia (quiçá selectiva) dos nada populistas passeios de bicicleta.
Entretanto, outro colosso (dinossauro(?)) da nossa cultura, Marcelo Rebelo de Sousa, na sua eucaristia vespertina domingueira, incapaz de disfarçar uma incontida azia (em virtude de ter publicamente apoiado o candidato derrotado), tratou de passar um pesado sermão aos incautos telespectadores da RTP 1, o qual apresentou sob a forma do indigesto supositório populista.
Para além de criticar a atitude passiva dos barões do PSD responsabilizando-os pelo desastre, o bom Marcelo particularizou uma destacada figura do partido a quem acusou de ter puxado o tapete a Mendes para o entregar a Menezes, esquecendo-se, por exemplo do expediente a que ele próprio recorreu para remover o populista Santana Lopes.
Mais, Marcelo Rebelo de Sousa, na sua infinita livresca sabedoria, tratou de imediato colar a imagem de Menezes à de Santana Lopes, qual demo populista que urge exorcizar.
Porém, também Marcelo, como Soares, acometido de uma súbita, porém conveniente amnésia selectiva, esqueceu um célebre, contudo tão populista quanto os passeios de bicicleta de Soares, mergulho no Tejo (ainda hoje os peixes morrem devido à concentração de enxofre nas águas do rio – há que manter viva a memória de uma das mais eloquentes tiradas Chavistas) em plena campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa.
Concluo:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas, interiormente, estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim, também, vós, exteriormente, pareçais justos aos homens, mas, interiormente, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” (MATEUS, S.; Evangelho de S. Mateus, In A Bíblia Sagrada, Lisboa, Sociedades Bíblicas Unidas, 1968, XXIII, pp. 27-28).
O melhor dos blog's, (para mim)se quer ver o seu texto aqui de-me o link do seu blog) Obrigado a todos pela qualidade e sentido de critica, opinião e humor dos vossos textos.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
http://joshuaquim7.blogspot.com/
SOLIDARIEDADE, AINDA EXISTE?
O teu blogue é o teu buraco bem fechado?
Já decidiste definitivamente que eu não presto?
Vais condenar-me e isso é definitivo?
Dás a mão a quem ta pede?
A China brutal cala a boca do Mundo com bons negócios?
A Revolução Proletária Chinesa foi a sofisticação da escravidão?
Foi o estrangulamento ordeiro pena capital de liberdades fundamentais?
Quem mata mais e melhor serão os Israelitas ou os Palestinianos?
Bush não quererá pretextualizar uma invasão às armas de opressão maciça de Myanmar?
Solidariedade ainda existe?
Se eu te pedir auxílio, um gesto, serás capaz?
Sócrates pensou nos perseguidos e oprimidos da grande Rússia de Putin?
Sócrates sabe o que significa 'Povo'?
Quantos telemóveis terá de destruir de raiva,
agora que se sabe da mercearia de influências e pressões exercidas sobre o PR Sampaio?
Quantos processos pretende lançar aos Antónios Balbinos Caldeiras sobejantes?
Solidariedade, ainda existe?
Falo contigo, grito, meu leitor: a solidariedade ainda existe?
Conheces o valor de um gesto?
Conheces o peso de um clique, do movimento consciente do teu rato a favor de alguém?
Conheces como romper as solidões ou cessar a tua?
Não, meu leitor, a Solidariedade já não existe.
Deu lugar ao Prazer!
Deu lugar às Conveniências.
Deu lugar às aritméticas da ganância e da exploração desenfreada.
Deu lugar à divina ponderação para tudo do respectivo custo-benefício.
Deu lugar a sentires-te esmagado, todos os dias esmagado, em tudo oprimido pela dignidade dos números.
Bem-vindo ao tempo novo da Razão e da Lógica fria dos Números, meu leitor.
Os Templos astecas estão vazios porque todos os Templos
terão de ficar vazios e que luza somente a Razão, essa excessiva puta exclusiva!
Monges budistas e padres oficiam o último ofício da superstição moribunda, não vês?!
Morra Deus nas psiques, nas palavras, nas esperanças,
que a Filosofia encherá de Fundo todas as fomes, não é assim?!
Agora é que começa o grande Vazio, meu leitor,
aquele em que amamos mais a gatos e a cães que aos nossos filhos embrionários.
Aquele em ficamos fechados em casa a viver do ar viciado das nossas ilusões enciclopédicas.
Aquele em que nos resguardamos no virtual e ressecamos na ressaca dos afectos naufragados,
para nunca mais tocarmos ninguém e a ninguém escutarmos.
Diz-me que ainda há solidariedade, meu leitor!
Diz-me que somos mais importantes que o que Políticos e Marcas Globais vêem em nós-gado.
Eu não vejo. Eu não sinto.
Todos os dias estendo as minhas mãos para ti, meu leitor, mas tu segues adiante, frio.
Certamente, já me condenaste.
Certamente me consideras obsceno e desprezível.
Certamente não terás tempo para mim-palhaço.
Certamente não terás tempo para mim-mendigo.
Certamente pensarás ridículo o meu blogue e a minha palavra.
Certamento deliro para ti e sentir-te-ás melhor a desprezar-me com um manto de silêncio,
e é melhor nunca mais me procurares, não é assim?!
Tu caminhas, sem te dares conta, na berma da mesma Vala Comum
de que te escandalizaste no passado, meu leitor.
És tu que lapidas, és tu que disparas as rajadas que varam e fazem tombar.
E és tu porque pensas poder ficar de fora deste grande contágio de fim e de frieza,
como uma grande gripe, da solidariedade. E não podes.
Morrerás como nós, como ela.
Pois quando a solidariedade morre, meu leitor,
não pode haver sobreviventes
O teu blogue é o teu buraco bem fechado?
Já decidiste definitivamente que eu não presto?
Vais condenar-me e isso é definitivo?
Dás a mão a quem ta pede?
A China brutal cala a boca do Mundo com bons negócios?
A Revolução Proletária Chinesa foi a sofisticação da escravidão?
Foi o estrangulamento ordeiro pena capital de liberdades fundamentais?
Quem mata mais e melhor serão os Israelitas ou os Palestinianos?
Bush não quererá pretextualizar uma invasão às armas de opressão maciça de Myanmar?
Solidariedade ainda existe?
Se eu te pedir auxílio, um gesto, serás capaz?
Sócrates pensou nos perseguidos e oprimidos da grande Rússia de Putin?
Sócrates sabe o que significa 'Povo'?
Quantos telemóveis terá de destruir de raiva,
agora que se sabe da mercearia de influências e pressões exercidas sobre o PR Sampaio?
Quantos processos pretende lançar aos Antónios Balbinos Caldeiras sobejantes?
Solidariedade, ainda existe?
Falo contigo, grito, meu leitor: a solidariedade ainda existe?
Conheces o valor de um gesto?
Conheces o peso de um clique, do movimento consciente do teu rato a favor de alguém?
Conheces como romper as solidões ou cessar a tua?
Não, meu leitor, a Solidariedade já não existe.
Deu lugar ao Prazer!
Deu lugar às Conveniências.
Deu lugar às aritméticas da ganância e da exploração desenfreada.
Deu lugar à divina ponderação para tudo do respectivo custo-benefício.
Deu lugar a sentires-te esmagado, todos os dias esmagado, em tudo oprimido pela dignidade dos números.
Bem-vindo ao tempo novo da Razão e da Lógica fria dos Números, meu leitor.
Os Templos astecas estão vazios porque todos os Templos
terão de ficar vazios e que luza somente a Razão, essa excessiva puta exclusiva!
Monges budistas e padres oficiam o último ofício da superstição moribunda, não vês?!
Morra Deus nas psiques, nas palavras, nas esperanças,
que a Filosofia encherá de Fundo todas as fomes, não é assim?!
Agora é que começa o grande Vazio, meu leitor,
aquele em que amamos mais a gatos e a cães que aos nossos filhos embrionários.
Aquele em ficamos fechados em casa a viver do ar viciado das nossas ilusões enciclopédicas.
Aquele em que nos resguardamos no virtual e ressecamos na ressaca dos afectos naufragados,
para nunca mais tocarmos ninguém e a ninguém escutarmos.
Diz-me que ainda há solidariedade, meu leitor!
Diz-me que somos mais importantes que o que Políticos e Marcas Globais vêem em nós-gado.
Eu não vejo. Eu não sinto.
Todos os dias estendo as minhas mãos para ti, meu leitor, mas tu segues adiante, frio.
Certamente, já me condenaste.
Certamente me consideras obsceno e desprezível.
Certamente não terás tempo para mim-palhaço.
Certamente não terás tempo para mim-mendigo.
Certamente pensarás ridículo o meu blogue e a minha palavra.
Certamento deliro para ti e sentir-te-ás melhor a desprezar-me com um manto de silêncio,
e é melhor nunca mais me procurares, não é assim?!
Tu caminhas, sem te dares conta, na berma da mesma Vala Comum
de que te escandalizaste no passado, meu leitor.
És tu que lapidas, és tu que disparas as rajadas que varam e fazem tombar.
E és tu porque pensas poder ficar de fora deste grande contágio de fim e de frieza,
como uma grande gripe, da solidariedade. E não podes.
Morrerás como nós, como ela.
Pois quando a solidariedade morre, meu leitor,
não pode haver sobreviventes
http://geracao-rasca.blogspot.com/
As novas regras nacionais para o futebol
[de aplicação discricionária]
1. Alguns guarda-redes nunca devem tocar a bola com as mãos caso pressintam que esta tenha tocado por último num local que não seja [até ao dia] a cabeça de um colega de equipa.
2. Se for efectuado um corte de cabeça dentro da grande área por um jogador da equipa que defende, os árbitros podem assinalar grande penalidade se um dos seus assistentes considerar que viu um corte efectuado com o braço.
3. Se for efectuado um corte com o braço dentro da grande área por um jogador da equipa que defende, os árbitros podem assinalar bola ao ar fora da grande área se um dos seus assistentes considerar que viu um corte efectuado com o braço.
4. Quando a decisão errada de um árbitro tem influência no resultado final de jogos onde participam certas equipas, este deve pedir desculpas no final da partida.
Etiquetas: (In)verdade desportiva, Comissão de Arbitragens Habilidosas da Liga, Concorrência desleal, Não há apito que resista, Poderes discricionários
[de aplicação discricionária]
1. Alguns guarda-redes nunca devem tocar a bola com as mãos caso pressintam que esta tenha tocado por último num local que não seja [até ao dia] a cabeça de um colega de equipa.
2. Se for efectuado um corte de cabeça dentro da grande área por um jogador da equipa que defende, os árbitros podem assinalar grande penalidade se um dos seus assistentes considerar que viu um corte efectuado com o braço.
3. Se for efectuado um corte com o braço dentro da grande área por um jogador da equipa que defende, os árbitros podem assinalar bola ao ar fora da grande área se um dos seus assistentes considerar que viu um corte efectuado com o braço.
4. Quando a decisão errada de um árbitro tem influência no resultado final de jogos onde participam certas equipas, este deve pedir desculpas no final da partida.
Etiquetas: (In)verdade desportiva, Comissão de Arbitragens Habilidosas da Liga, Concorrência desleal, Não há apito que resista, Poderes discricionários
http://www.a-causa-das-coisas.blogspot.com/
Coração malandro
Há um novo concurso na TVI, apresentado pela já antiga Júlia Pinheiro, que trata do «amor». O dito programa dá pelo nome de Casamento de Sonho, o que, só por si, transmite a ideia de que pelo menos duas pessoas tentarão atingir a perfeição sentimental. Sabe-se que não haverão facilidade mas, nestas coisas, não existem facilidades. O amor é exigente. As relações são quase sempre traumáticas. Por esse motivo, aparecem as «belas» e os «belos», que tentarão desviar os pombinhos através da «quebra de confiança» e do ciúme. O óbvio diz-nos que, no final, a certeza se elevará em relação à dúvida e a perfeição vencerá a desconfiança. Haverá o beijo apertado, as lágrimas do mastronço e, claro, o pedido de casamento. No entanto, o problema das relações afectivas não está no «Outro» mas sim em nós próprios. Não é a televisão que nos condena ou julga. Somos nós. O pior para aqueles pombinhos que se querem casar está cá fora, no dia-a-dia, na realidade crua e dura.
Há um novo concurso na TVI, apresentado pela já antiga Júlia Pinheiro, que trata do «amor». O dito programa dá pelo nome de Casamento de Sonho, o que, só por si, transmite a ideia de que pelo menos duas pessoas tentarão atingir a perfeição sentimental. Sabe-se que não haverão facilidade mas, nestas coisas, não existem facilidades. O amor é exigente. As relações são quase sempre traumáticas. Por esse motivo, aparecem as «belas» e os «belos», que tentarão desviar os pombinhos através da «quebra de confiança» e do ciúme. O óbvio diz-nos que, no final, a certeza se elevará em relação à dúvida e a perfeição vencerá a desconfiança. Haverá o beijo apertado, as lágrimas do mastronço e, claro, o pedido de casamento. No entanto, o problema das relações afectivas não está no «Outro» mas sim em nós próprios. Não é a televisão que nos condena ou julga. Somos nós. O pior para aqueles pombinhos que se querem casar está cá fora, no dia-a-dia, na realidade crua e dura.
http://opaisdoburro.blogspot.com/
Os grandes embates entre pequenos
1º embate
Luís Filipe Menezes - 55%
Luís Marques Mendes - 44%
Curiosidades: a diferença de votos arrecadada por Menezes nas 3 cidades de Lisboa, Porto e Braga (cerca de 4900) é sensivelmente igual à diferença de votos no total nacional (4400); a taxa de abstenção foi de aproximadamente 40%; vitória de Marques Mendes na Madeira (1124 - 376) e onde os militantes não precisam de pagar as quotas para votar, nos Açores, (229 - 98).
And the winner is: José Sócrates (2009)
2º embate
Benfica – 0
Sporting – 0
Curiosidades: Fora 4 penalties, 2 para cada lado, o que é normal, nada a assinalar. O encontro foi, de resto, apitado por um dos melhores árbitros portugueses. Terá, naturalmente, uma boa classificação por parte dos observadores da Liga de Futebol.
And the winner is: FCP (2008)
1º embate
Luís Filipe Menezes - 55%
Luís Marques Mendes - 44%
Curiosidades: a diferença de votos arrecadada por Menezes nas 3 cidades de Lisboa, Porto e Braga (cerca de 4900) é sensivelmente igual à diferença de votos no total nacional (4400); a taxa de abstenção foi de aproximadamente 40%; vitória de Marques Mendes na Madeira (1124 - 376) e onde os militantes não precisam de pagar as quotas para votar, nos Açores, (229 - 98).
And the winner is: José Sócrates (2009)
2º embate
Benfica – 0
Sporting – 0
Curiosidades: Fora 4 penalties, 2 para cada lado, o que é normal, nada a assinalar. O encontro foi, de resto, apitado por um dos melhores árbitros portugueses. Terá, naturalmente, uma boa classificação por parte dos observadores da Liga de Futebol.
And the winner is: FCP (2008)
http://doportugalprofundo.blogspot.com/
Cinismo e poder
Uma pausa no assunto mais crítico.
Luís Filipe Menezes ganhou as eleições internas directas para presidente do Partido Social Democrata (PSD) de 29-9-2007 a Luís Marques Mendes, o presidente em exercício.
Eleições directas para Presidente do PSD - 29-9-2007 (até às 1:45 de 29-9-2007)
...........................................Votos de militantes...............%
Luís Filipe Menezes..........................20701.......................54,1
Luís Marques Mendes.......................16334.......................42,7
Votos brancos...................................909.........................2,4
Votos nulos.......................................326.........................0,9
Votantes.......................................38270........................60,7
Eleitores........................................63035
Nas eleições internas dos partidos em Portugal é ordinária a polémica das quotas, com os pagamentos em massa, os cadernos eleitorais discutidos, a sobre-representação de secções geográficas e concelhos e poder interno de matriz caciqueira - aquilo a que em tempos chamei a "guerra dos tazos" que sujaz à guerra dos tachos. Os tazos, como as fichas, tipo cromos, que os miúdos jogam, são militantes familiares e amigos ou dependentes de algum favor, encarados como marionetas pelos caciques e caciquinhos, nomeadamente presidentes de câmara, vereadores e assessores. Nessa "guerra de tazos", que precede e sustenta tachos, a comparação do poder, qual concurso infantil de tamanhos, faz-se pelo número de tazos que cada cacique ou caciquinho tem no bolso, sendo mais importante o grande eleitor, qual "bate-fichas" de casino, que tenha mais no bolso. É uma situação que espelha o respeito que cada um dos envovidos tem pela democracia. Porque não há - nem pode haver! - moral dupla na política, com um vale-tudo interno ao partido e a promessa de respeito absoluto pela democraticidade no País: o povo percebe e pune. Também o PSD, nas várias facções envolvidas, não escapa a esta praga anti-democrática. Esta praga, exposta ainda mais pelos ataques cruzados das candidaturas, fere a legitimidade partidária, com uma gravidade que os tempos mais próximos não reduzirão.
Em minha opinião, a eleição do dr. Luís Filipe Menezes traz algumas lições:
1. A derrota de algum baronato absentista, elitista e tecnocrático, entretido na sua vida profissional, cínico no seu apoio a Marques Mendes, que entendiam como feitor da quinta, enquanto não chegava a oportunidade de uma vitória eleitoral pelo desgaste de José Sócrates. O que não significa que do lado de Luís Filipe Menezes também não estejam alguns notáveis ex-semi-retirados da vida política ou que estavam queimados e que, para ressurgir, fizeram intervir as suas hostes.
2. A derrota de alguns protagonistas que, por cálculo de oportunidade (Sócrates ainda demasiado poderoso para lhes conceder o poder) ou receio, não tiveram a coragem de se apresentar a sufrágio, como Marcelo Rebelo de Sousa, José Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Alexandre Relvas (ex-proto-pré-candidato, cuja hesitação o penaliza), Rui Rio e o próprio Santana (apesar de tentativa de última hora).
3. A derrota de Cavaco Silva, que parece ter apostado tudo no delegado do sector legitimista Marques Mendes e acaba com o líder Luís Filipe Menezes que, sem a hostilidade anti-cavaco de Santana, não pode ser favorável à teroria cavaquista de "deixem-governar-o-Sócrates-para-ele-fazer-a-reforma-da-administração-pública". Esse comedimento de recomendação cavaquista dos jogos florais do PSD colide colide com a esperança de vida de Menezes que vai até às eleições: se perder, será pressionado a sair.
4. A vitória do militante anónimo, incomodado com a suserania dos nobres notáveis, cujo cinismo face ao partido e o desprezo das agruras do povo e a marcha da dependência do Estado, não pode consentir nem desculpar. Nessa perspectiva, as eleições directas, ao contrário do que o baronato absentista (porque ausente da luta política e cívica, cujo trabalho, que considera sujo, deixa para os idiotas e pobres de poder...) vieram para ficar. O poder vai ter de passar a ser disputado não no jogo viciado dos acordos de barões, dos grandes eleitores, em congresso, mas pelo voto dos militantes todos.
5. A necessidade de institucionalização da democracia directa, com eleição directa para qualquer cargo partidário e político, com o aprofundamento da democraticidade interna - liberdade de inscrição de militantes, regras de participação nas eleições, transparência, independência da organização de eleições (que convinha passar a serem auditadas por órgão independente das facções), prestação de contas, etc. Mais democracia directa e não o retorno à oligarquia.
6. O ocaso do protagonismo principal de Marques Mendes no partido e na política, e a travessia do deserto dos seus mais próximos, porque outros tentarão fazer a transição rápida do costume.
7. O agravamento da limitação da acção do poder judicial sobre o sistema político e os seus intervenientes, cuja imunidade será ainda mais protegida.
8. A vitória de um certo populismo autárquico, reduto de poder real do PSD, na contestação da corte lisboeta promíscua e inconsequente.
9. A maior dificuldade de José Sócrates e do Governo no curto-prazo, independentemente dos efeitos de prestígio no prazo mais longo.
10. A constatação da impossibilidade de reforma política efectiva do País nos próximos anos.
Acima do jogo partidário está, contudo, o País. O dever continua. E o devir não dispensa.
Pós-Texto: Ver ainda sobre a pressão do sistema judicial sobre o sistema político este post de José Maria Martins, que comenta com vigor a notícia do Expresso "Ameaça macabra a juiz de casos quentes", do Expresso de 29-9-2007, sobre a falta de segurança pessoal do juiz Carlos Alexandre, que terá a seu cargo a instrução do caso Portucale, Furacão, OGFE. Aqui há tempos também li àcerca de um caso semelhante de recusa e demora em conceder protecção a um juiz num caso tórrido para o poder.
Uma pausa no assunto mais crítico.
Luís Filipe Menezes ganhou as eleições internas directas para presidente do Partido Social Democrata (PSD) de 29-9-2007 a Luís Marques Mendes, o presidente em exercício.
Eleições directas para Presidente do PSD - 29-9-2007 (até às 1:45 de 29-9-2007)
...........................................Votos de militantes...............%
Luís Filipe Menezes..........................20701.......................54,1
Luís Marques Mendes.......................16334.......................42,7
Votos brancos...................................909.........................2,4
Votos nulos.......................................326.........................0,9
Votantes.......................................38270........................60,7
Eleitores........................................63035
Nas eleições internas dos partidos em Portugal é ordinária a polémica das quotas, com os pagamentos em massa, os cadernos eleitorais discutidos, a sobre-representação de secções geográficas e concelhos e poder interno de matriz caciqueira - aquilo a que em tempos chamei a "guerra dos tazos" que sujaz à guerra dos tachos. Os tazos, como as fichas, tipo cromos, que os miúdos jogam, são militantes familiares e amigos ou dependentes de algum favor, encarados como marionetas pelos caciques e caciquinhos, nomeadamente presidentes de câmara, vereadores e assessores. Nessa "guerra de tazos", que precede e sustenta tachos, a comparação do poder, qual concurso infantil de tamanhos, faz-se pelo número de tazos que cada cacique ou caciquinho tem no bolso, sendo mais importante o grande eleitor, qual "bate-fichas" de casino, que tenha mais no bolso. É uma situação que espelha o respeito que cada um dos envovidos tem pela democracia. Porque não há - nem pode haver! - moral dupla na política, com um vale-tudo interno ao partido e a promessa de respeito absoluto pela democraticidade no País: o povo percebe e pune. Também o PSD, nas várias facções envolvidas, não escapa a esta praga anti-democrática. Esta praga, exposta ainda mais pelos ataques cruzados das candidaturas, fere a legitimidade partidária, com uma gravidade que os tempos mais próximos não reduzirão.
Em minha opinião, a eleição do dr. Luís Filipe Menezes traz algumas lições:
1. A derrota de algum baronato absentista, elitista e tecnocrático, entretido na sua vida profissional, cínico no seu apoio a Marques Mendes, que entendiam como feitor da quinta, enquanto não chegava a oportunidade de uma vitória eleitoral pelo desgaste de José Sócrates. O que não significa que do lado de Luís Filipe Menezes também não estejam alguns notáveis ex-semi-retirados da vida política ou que estavam queimados e que, para ressurgir, fizeram intervir as suas hostes.
2. A derrota de alguns protagonistas que, por cálculo de oportunidade (Sócrates ainda demasiado poderoso para lhes conceder o poder) ou receio, não tiveram a coragem de se apresentar a sufrágio, como Marcelo Rebelo de Sousa, José Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Alexandre Relvas (ex-proto-pré-candidato, cuja hesitação o penaliza), Rui Rio e o próprio Santana (apesar de tentativa de última hora).
3. A derrota de Cavaco Silva, que parece ter apostado tudo no delegado do sector legitimista Marques Mendes e acaba com o líder Luís Filipe Menezes que, sem a hostilidade anti-cavaco de Santana, não pode ser favorável à teroria cavaquista de "deixem-governar-o-Sócrates-para-ele-fazer-a-reforma-da-administração-pública". Esse comedimento de recomendação cavaquista dos jogos florais do PSD colide colide com a esperança de vida de Menezes que vai até às eleições: se perder, será pressionado a sair.
4. A vitória do militante anónimo, incomodado com a suserania dos nobres notáveis, cujo cinismo face ao partido e o desprezo das agruras do povo e a marcha da dependência do Estado, não pode consentir nem desculpar. Nessa perspectiva, as eleições directas, ao contrário do que o baronato absentista (porque ausente da luta política e cívica, cujo trabalho, que considera sujo, deixa para os idiotas e pobres de poder...) vieram para ficar. O poder vai ter de passar a ser disputado não no jogo viciado dos acordos de barões, dos grandes eleitores, em congresso, mas pelo voto dos militantes todos.
5. A necessidade de institucionalização da democracia directa, com eleição directa para qualquer cargo partidário e político, com o aprofundamento da democraticidade interna - liberdade de inscrição de militantes, regras de participação nas eleições, transparência, independência da organização de eleições (que convinha passar a serem auditadas por órgão independente das facções), prestação de contas, etc. Mais democracia directa e não o retorno à oligarquia.
6. O ocaso do protagonismo principal de Marques Mendes no partido e na política, e a travessia do deserto dos seus mais próximos, porque outros tentarão fazer a transição rápida do costume.
7. O agravamento da limitação da acção do poder judicial sobre o sistema político e os seus intervenientes, cuja imunidade será ainda mais protegida.
8. A vitória de um certo populismo autárquico, reduto de poder real do PSD, na contestação da corte lisboeta promíscua e inconsequente.
9. A maior dificuldade de José Sócrates e do Governo no curto-prazo, independentemente dos efeitos de prestígio no prazo mais longo.
10. A constatação da impossibilidade de reforma política efectiva do País nos próximos anos.
Acima do jogo partidário está, contudo, o País. O dever continua. E o devir não dispensa.
Pós-Texto: Ver ainda sobre a pressão do sistema judicial sobre o sistema político este post de José Maria Martins, que comenta com vigor a notícia do Expresso "Ameaça macabra a juiz de casos quentes", do Expresso de 29-9-2007, sobre a falta de segurança pessoal do juiz Carlos Alexandre, que terá a seu cargo a instrução do caso Portucale, Furacão, OGFE. Aqui há tempos também li àcerca de um caso semelhante de recusa e demora em conceder protecção a um juiz num caso tórrido para o poder.
http://aspirinab.weblog.com.pt/
A doideira
Temos um seleccionador nacional de futebol que tentou esmurrar a cara de um jogador de uma selecção adversária, ainda no relvado. Nessa mesma noite, depois de se acalmar e poder pensar, foi a uma conferência de imprensa negar a realidade. No dia seguinte, foi a uma televisão negar a responsabilidade. Dias depois, conhecida a sanção da FIFA, anunciou que ia tentar negar a moralidade. Com o conluio do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e com o silêncio da tutela.
Temos um político acabado, desgraçado, gozado, que morre de inveja de um treinador de futebol. Esse político é chamado à televisão para dizer umas banalidades que ninguém — ninguém — tinha qualquer interesse em conhecer, muito menos em perder tempo a ouvir. Aconteceu-lhe a supina sorte de o invejado treinador ter aterrado em Portugal à hora da sua declaração. Logicamente, o canal dedicado às notícias dá a notícia que a audiência estava interessada em ver: as imagens e as palavras do treinador, fossem quais fossem, umas e outras. O canal era de notícias, e só de notícias. O canal tem como missão aquilo que fez: dar directos da actualidade, do que constitua a actualidade, sem discriminar, sem tomar partido, sem se substituir à actualidade. O canal gastou 1 minuto com o treinador e voltou ao político. O político tinha um percurso onde se misturava a política e o futebol de forma indiscernível e indescritível. O político devia a maior parte da sua popularidade e poder aos favores que o futebol lhe fizera e que ele retribuíra por cima e por debaixo da mesa. O político era também a ostensiva manifestação da venialidade e da vanidade. Acossado pela própria decadência, sem esperança de conseguir voltar à ribalta, farejou um brilharete: fazer de puta ofendida. Acertou em cheio no País. No dia seguinte, o dia mais imbecil da História de Portugal, era unânime o louvor àquilo que a hipocrisia de uns, a inanidade de outros e a cobardia de todos chamou de coragem. Porque Santana se tinha virado contra a televisão, esses malandros que insistiam em transmitir exactamente aquilo que as audiências queriam ver. O mestre da popularidade dava um golpe de populismo magistral. Criava um estudo de caso em manipulação, um automático clássico destinado a ser citado e investigado pelos anos afora em academias e institutos onde se estude a demagogia. O povo aplaudiu, ejaculou com a opção de Santana: em vez de ter continuado a falar do PSD, e de ter apenas puxado as orelhas aos seus amiguinhos televisivos mas continuando a rebolar-se no charco da sua irrelevância opinativa, resolveu acabar com aquela chatice e ofereceu uma peixeirada à audiência. Isso sim, é o que faz falta para animar a malta. Política não, muito obrigado. E prontos — com uma palhaçada, e mais uma vez à conta do futebol, Santana voltava ao circo da política. Entretanto, o povo, agora (e sempre, e para sempre) adepto de Santana, irá continuar a perseguir o Mourinho, e os milhões do Mourinho, e a soberba do Mourinho, para onde quer que ele vá. E ai do canal de televisão que não lhes der o Mourinho a peidar-se numa esquina de Setúbal, pois não irá recolher a sua numérica presença para mostrar aos anunciantes. Santana, por causa do Mourinho, é agora um Mourinho na pele de Santana: pode voltar a treinar várias equipas. Pode voltar para o parlamento, para a televisão, para o futebol, para o tal País que o aclama e se delira a seguir em frente, com palas nos olhos, à nora.
Temos um partido da oposição cujos militantes acham que Menezes é melhor que Mendes. Acontece que eles têm razão. Com Menezes, o PSD acaba mais depressa. É melhor para todos.
Temos um seleccionador nacional de futebol que tentou esmurrar a cara de um jogador de uma selecção adversária, ainda no relvado. Nessa mesma noite, depois de se acalmar e poder pensar, foi a uma conferência de imprensa negar a realidade. No dia seguinte, foi a uma televisão negar a responsabilidade. Dias depois, conhecida a sanção da FIFA, anunciou que ia tentar negar a moralidade. Com o conluio do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e com o silêncio da tutela.
Temos um político acabado, desgraçado, gozado, que morre de inveja de um treinador de futebol. Esse político é chamado à televisão para dizer umas banalidades que ninguém — ninguém — tinha qualquer interesse em conhecer, muito menos em perder tempo a ouvir. Aconteceu-lhe a supina sorte de o invejado treinador ter aterrado em Portugal à hora da sua declaração. Logicamente, o canal dedicado às notícias dá a notícia que a audiência estava interessada em ver: as imagens e as palavras do treinador, fossem quais fossem, umas e outras. O canal era de notícias, e só de notícias. O canal tem como missão aquilo que fez: dar directos da actualidade, do que constitua a actualidade, sem discriminar, sem tomar partido, sem se substituir à actualidade. O canal gastou 1 minuto com o treinador e voltou ao político. O político tinha um percurso onde se misturava a política e o futebol de forma indiscernível e indescritível. O político devia a maior parte da sua popularidade e poder aos favores que o futebol lhe fizera e que ele retribuíra por cima e por debaixo da mesa. O político era também a ostensiva manifestação da venialidade e da vanidade. Acossado pela própria decadência, sem esperança de conseguir voltar à ribalta, farejou um brilharete: fazer de puta ofendida. Acertou em cheio no País. No dia seguinte, o dia mais imbecil da História de Portugal, era unânime o louvor àquilo que a hipocrisia de uns, a inanidade de outros e a cobardia de todos chamou de coragem. Porque Santana se tinha virado contra a televisão, esses malandros que insistiam em transmitir exactamente aquilo que as audiências queriam ver. O mestre da popularidade dava um golpe de populismo magistral. Criava um estudo de caso em manipulação, um automático clássico destinado a ser citado e investigado pelos anos afora em academias e institutos onde se estude a demagogia. O povo aplaudiu, ejaculou com a opção de Santana: em vez de ter continuado a falar do PSD, e de ter apenas puxado as orelhas aos seus amiguinhos televisivos mas continuando a rebolar-se no charco da sua irrelevância opinativa, resolveu acabar com aquela chatice e ofereceu uma peixeirada à audiência. Isso sim, é o que faz falta para animar a malta. Política não, muito obrigado. E prontos — com uma palhaçada, e mais uma vez à conta do futebol, Santana voltava ao circo da política. Entretanto, o povo, agora (e sempre, e para sempre) adepto de Santana, irá continuar a perseguir o Mourinho, e os milhões do Mourinho, e a soberba do Mourinho, para onde quer que ele vá. E ai do canal de televisão que não lhes der o Mourinho a peidar-se numa esquina de Setúbal, pois não irá recolher a sua numérica presença para mostrar aos anunciantes. Santana, por causa do Mourinho, é agora um Mourinho na pele de Santana: pode voltar a treinar várias equipas. Pode voltar para o parlamento, para a televisão, para o futebol, para o tal País que o aclama e se delira a seguir em frente, com palas nos olhos, à nora.
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