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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

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Abrir a Pestana

As declarações de Catalina Pestana ao Sol são assombrosas. Não conheço, em toda a minha vida, caso mais grave do que este da Casa Pia no que respeita à possibilidade de se credibilizar a suspeita de não estarmos num Estado de Direito. As suas denúncias são esmagadoras, o silêncio à sua volta explosivo. E qualquer cidadão que passe numa junta médica de psiquiatria pode ter estas duas certezas: crimes foram cometidos e muita gente no topo do Poder sabe por quem.

Os que se calam com algo para dizer, de políticos a publicistas, de jornalistas a polícias, de vítimas a testemunhas, podem ter as melhores razões do mundo, incluindo a defesa da vida se a sentirem ameaçada. O que não podem é castigar o mensageiro. Ora, Ana Gomes oferece-nos um exuberante sintoma da doença moral com que a democracia portuguesa tem vivido nos últimos 30 anos. Creio que não serão apenas as peculiares hormonas femininas a explicarem a decisão de ter construído um soez ataque onde brinca com a gíria de pia. Há aqui outros factores em acção, como uma pulsão tribal, um ódio visceral contra outra fêmea, um urro de negação das evidências. E isso nem será o mais importante, pois todos temos direito à animalidade. O que verdadeiramente me fascina é a assunção de conhecimento. Ana Gomes revela saber de alguma coisa secreta, ilegal e escabrosa. Ela sabe de alguma coisa sobre os "outros", os da outra tribo, do outro clube. E, justiceira, poderosa, equitativa, pergunta, protesta, ameaça.

Quer-se dizer. Ou seja. Isto é. E cá para mim. A Ana. Também. Não. Pia.

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